A síndrome de quem escreve

Não sou o tipo de pessoa que beija meio mundo numa noite. Mal beijo no mês. Ano passado beijei no máximo 5 bocas, em 365 dias. Sou do tipo que atrai gente complicada, que vai virar minha vida do avesso e deixar meu coração todo remendado no final. Evito. Mesmo carregando a síndrome de quem escreve. Essa coisa de imaginar todas as situações mais cotidianas possíveis e, no meio do tédio de uma fila lotérica, conhecer alguém. Torcer para que esse alguém seja interessante. Esperar que, sendo assim, esse alguém se embale na minha vida e permaneça sabe-se lá por quanto tempo.

Tento não me envolver, mas é muito difícil achar uma pessoa interessante no meio de sete bilhões de possibilidades. Mesmo procurando loucamente. Mesmo cuidando do jardim para as borboletas virem. Odeio borboletas, de qualquer maneira, é um bicho bonito mas puta nojento. E nunca vem a borboleta interessante. Quando vem, parece mais para um gafanhoto destruindo toda a minha plantação. 

Acho que é isso, essa coisa de ser interessante é só um adjetivo utópico para ser complicado. Eu gosto é do obstáculo, de gente que sorri de canto e diz tudo mesmo sem querer dizer nada - ou finge que diz, e convence. Na real, esse lance da conquista é uma merda, cara. Mas sem ele, que graça tem? Quem me quer, não tô afim. Tá ali, disponível, a hora que eu quiser, que saco. 

Deixo pra lá. Finjo que tô pouco me fodendo e continuo vivendo a minha vida. Mesmo com essa síndrome de quem escreve. Essa coisa de imaginar que, no meio da minha vida abarrotada de perrengues, alguém apareça com a aura clara e ilumine os caminhos que eu resolver percorrer madrugada a dentro. Com ou sem birita. Com ou sem coisas antissociais. E me faça rir, ou perder o ar. Até o ponto que não sei, não faço ideia se é a vida que torna as coisas complicadas ou sou eu que sou complicada porque complico tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário